Preferimos o comodismo

Preferimos o comodismo à qualquer opção que nos force a mudar. Isso é uma afirmação verdadeira para diversas áreas do comportamento humano.

Como ter mais dinheiro? Jogando na Mega Sena em vez de mudar os hábitos financeiros.

Como emagrecer? Tomando uma cápsula todo dia em vez de mudar o que se come nas refeições.

Como crescer profissionalmente? Esperar que o chefe chame para oferecer uma promoção em vez de buscar melhores oportunidades ou tomar a iniciativa.

Isso pode até dar certo para algumas pessoas, mas não é típico.

O natural é escolher sempre o mais cômodo. Buscar uma solução milagrosa e aproveitar a frustração que virá quando ela não resolver o problema para usá-la como desculpa para voltar ao estado anterior de comodismo.

Existem algumas pesquisas que mostram isso. Como essa de 2008 que mostra que cardíacos preferem tomar remédio do que mudar hábitos que poderiam resolver o problema.

O motivo é simples. Mudar dói.

Somos seres extremamente adaptáveis por natureza, sobrevivemos a climas extremos durante a nossa evolução e achamos soluções para nos adaptar nos quatro cantos do mundo.

Apenas conjecturando, talvez seja esse instinto de sobrevivência que nos faça ficar acomodados em uma situação confortável e não escolher algo que possa ser arriscado.

Por que o comodismo é isso, mesmo que você não goste da situação, por mais que incomode, de alguma forma ela é confortável para você. Afinal, você não precisa exercer força para sair de onde está.

Mudar é gastar energia. É ter trabalho. É se esforçar para chegar em algum lugar diferente. E, as vezes, pode não resultar naquilo que se almejava.

Mudar é arriscado. E ainda pode dar errado.

O problema é que normalmente queremos algo diferente. Um corpo diferente, um trabalho diferente, uma situação financeira diferente. Aí entra o conflito de interesses.

Como atingir esse resultado diferente sem ter que me esforçar para chegar lá?

É nesse ponto que se busca soluções milagrosas que poderiam mudar o atual estado sem que se gaste um pingo de energia. Sem esforço nenhum para mudar.

Uma pílula mágica de emagrecimento. Um bilhete premiado de loteria. Uma promoção inesperada de cargo.

Uma lâmpada mágica com um gênio dentro que concede três desejos.

Pode acontecer, mas não é típico.

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” – Albert Einstein.

Em busca de um propósito

Existe toda uma geração em busca de um propósito. Não basta apenas trabalhar para pagar as contas ou juntar um dinheiro, tem que ter um motivo a mais para gastar a maior parte do tempo de nossas vidas em um projeto.

As vezes a necessidade da remuneração fala mais alto. Existem (muitos) momentos na vida onde precisamos pensar apenas em quanto vamos receber para trabalhar em alguma coisa. Mas no momento em que a necessidade urgente passa, o dinheiro não consegue se manter como o único motivador forte.

É claro que queremos ser bem remunerados para executar qualquer trabalho, mas o propósito para o qual você está trabalhando vai falar mais alto no momento de escolher se manter ou não em um projeto.

Entre duas opções de projetos com propostas parecidas de remuneração, aquela que faz você sentir que está fazendo a diferença vai acabar sendo a mais tentadora. Mesmo que não seja a maior em valor monetário.

Trabalhar em um projeto que possui um propósito claro nem sempre é o único ponto a ser levado em conta. O propósito de estar ali naquele ambiente (sendo ele virtual ou não), com aquelas pessoas, aprendendo ou ensinando também faz parte do todo na motivação.

Mas não se engane, não estou falando apenas de trabalho formal, emprego e empresas. Conheço pessoas bem resolvidas com dayjobs que servem apenas para pagar as contas, mas que gastam seu tempo livre ajudando e se dedicando a projetos que fazem mais sentido para a suas vidas. Nem sempre com alguma remuneração.

Você pode encontrar propósito onde menos espera. Em um grupo de estudos, em um grupo de corrida de rua, em uma ONG, em um culto religioso, etc. Pode estar ali agora mesmo, ao seu lado, mas você não parou para pensar tempo o suficiente para perceber isso.

A questão é que estamos atrás de algo que faça a vida fazer sentido. Algo que nos faça sentir que somos mais que apenas um número no Censo do IBGE.

Essa necessidade é tão grande que existe todo um mercado de autores, cursos e coachs faturando com promessas de ajudar na busca pelo propósito. Eles mesmos encontraram propósito fazendo isso, quem sabe.

A verdade é que somente nós mesmos podemos descobrir o motivo para a ação de viver, com ou sem ajuda de profissionais. Essa responsabilidade está em cima da própria pessoa.

É uma busca sufocante, que cria uma autocobrança e que gera mais e mais frustração.

Talvez essa seja a verdadeira causa de tanto stress e depressão para quem deu a sorte ou o azar de ter nascido dentro dessa geração. A pressão é forte e constante. E vem de nós mesmos.

Até a próxima!

O antropomorfismo da inteligência artificial

Faça uma pesquisa simples por inteligência artificial no Google Images. Você verá dois tipos de imagens: robôs no estilo do filme “Eu, Robô” e cérebros parecidos com chips de computadores.

Toda vez que alguém fala de inteligência artificial na mídia a imagem utilizada é a mesma: uma máquina humanoide. O mesmo acontece com as empresas de tecnologia quando geram conteúdos para seus clientes em peças de marketing.

Por que usar uma representação física de um robô para representar inteligência artificial quando a maioria dos exemplos de uso real dessa tecnologia estão longe de ser “animar” máquinas humanoides?

A resposta é simples. A maioria das pessoas não tem ideia do que realmente é a inteligência artificial e a forma mais fácil de mostrar visualmente esse conceito é através da representação cultural do robô.

Graças a livros e filmes muito populares o inconsciente coletivo imagina a inteligência artificial como uma versão artificial de um ser humano. Até porque a origem dos estudos desse campo foi exatamente essa. Criar uma versão artificial da inteligência humana.

Além disso, o ser humano naturalmente antropomorfiza as coisas. Coloca sentimentos e aparência humanas em animais e objetos. Explicar isso é trabalho para psicólogos, então não vou nem tentar.

Esse antropomorfismo da intlegência artificial acaba criando um problema de percepção para a grande parte das pessoas.

Junte a forma como a mídia mostra a tecnologia, a cultura geral e a facilidade para antropomorfizar as coisas que todos temos e pronto. Você tem uma pessoa que se desloca para um escritório de uma empresa de tecnologia para conhecer o “robô” que está atuando para prestar algum serviço.

Não acredita? Pois já tivemos um caso exatamente assim na empresa onde trabalho.

Quem sabe até existam pessoas que imaginam que automatizar um processo é o mesmo que colocar robôs humanoides fazendo o serviço que os humanos costumavam fazer.

Por mais que sonhemos com androides que serão quase indistinguíveis de seres humanos, como a Sophia da Hanson Robotics tenta ser, isso não é nem de longe a verdadeira cara da inteligência artificial dos dias de hoje.

A inteligência artificial está em softwares que rodam em hardwares muito mais parecidos com o seu computador de casa do que com o Robbin Williams em O Homem Bicentenário.

Os computadores que aprendem não vão ser expostos somente como assistentes pessoais (vide Elli Q) ou jogadores de tabuleiro (vide AlphaGo). Eles já estão dentro de nossas vidas constantemente sem que possamos perceber.

Toda vez que você acessa seu Facebook, faz uma pesquisa no Google ou faz uma compra pela internet, a inteligência artificial está lá. Ela é virtual, muitas vezes invisível e pode estar facilitando (ou não) a sua vida sem que você saiba.

Hoje em dia, uma boa representação de inteligência artificial seria algo bem menos interessante para o público em geral…

Servidores de pesquisa de Inteligência Artificial do Facebook em Prineville, Oregon.

Talvez as próximas gerações já tenham uma informação mais precisa sobre como tudo isso funciona, mas por enquanto, o único jeito que achamos de fazer alguém empatizar com o assunto é mostrando humanoides para representar a tecnologia da inteligência artificial.

Vamos continuar vendo muitos robôs humanoides nas capas de revistas e sites de notícias pelo mundo a fora por um bom tempo.

Até a próxima!

O caso dos animais de estimação

Animais de estimação, como o nome já diz, são bichinhos os quais estimamos e tornamos membros de nossa família. A partir do momento que adota-se ou compra-se um animal de estimação o ser humano assume uma grande responsabilidade para com esse ser vivo. Ele não é um ser independente quando domesticado, é preciso cuidar da saúde, alimentar, dar afeto e etc.

Todo mundo gosta de mostrar para os seus contatos em redes sociais o quão fofos são seus bichinhos. Receber likes e comentários confirmando isso é uma das grandes fatias do vício em redes sociais dos tempos atuais.

Eu conheço muitas pessoas que estão interessadas em adquirir um animal de estimação como um cachorro ou um gato, por exemplo. E isso é ótimo! Desde que não seja com o único motivo descrito no parágrafo acima.

Se esse não for o seu caso, sempre é bom lembrar que existem diversas ONGs que trabalham duro para resgatar animais das ruas e tratá-los para que alguém possa dar um novo lar para o bichinho.

São dessas ONGs que vem as piores histórias.

Tendo contato indireto recentemente com uma ONG que trata de centenas de animais a duras penas, tenho recebido notícias muito tristes sobre pessoas que querem ter seu animal de estimação.

“Quero um gato, mas não esse… É que ele tem um pouco de preto na cauda e eu queria um todo branco.”

Essa é uma transcrição adaptada de uma frase real.

Assim como o autor dessa frase, existem milhares. Não querem adotar um animal específico porque não é do padrão estético que procuram.

Isso nos leva à outro caso comum, pessoas que chegam a gastar até três mil reais para comprar um cachorro “de raça” em vez de adotar de algum abrigo.

Se eu posso comprar um “iDog” porque eu vou adotar um da versão baixa renda, não é? Vira-lata não vai ficar bem no meu “inxta”. Eu discordo…

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Isso é um grande problema, ainda mais sabendo os maltratos que os animais “de raça” sofrem para gerar ninhadas diversas vezes por ano. Mesmo assim existem casos muito piores…

Acredite se quiser, nesta ONG que citei já houve devolução de um gato adotado com o seguinte motivo:

“Ele faz cocô.”

Sim, ele vai fazer cocô. Vai dar despesa no veterinário. Dependendo da idade, vai destruir coisas dentro da sua casa. Vai soltar pêlos. E muito mais.

Animais de estimação não são produtos. São seres vivos.

Se você quer um produto de marca, um boneco para brincar ou só alguma coisa para postar em suas redes sociais, não adote ou compre um animal de estimação. Porque ele não serve para isso.

Agora, se você gosta de animais mas não quer assumir a responsabilidade de adotar um por falta de tempo, condições financeiras, etc, algo que é completamente compreensível, então procure uma forma de ajudar essas ONGs. Porque só quem vê de perto o trabalho que elas fazem sabe o quanto é difícil manter um projeto como este.

Até a próxima!

Por que escrever?

Escrever é uma atividade que eu faço com muito gosto. As vezes passo algumas horas escrevendo e apagando linhas para tentar formar uma ideia através das palavras, mas nem sempre sai como eu desejo. Quando sai, eu clico no botão de publicar e ainda assim releio algumas vezes depois para corrigir alguma besteira.

Mas por que escrever? Por que ter todo esse trabalho?

Para mim escrever é uma forma de criar histórias. Cada texto que posto no meu blog é como se fosse uma pequena história que conto. Pode ser a história de uma ideia que tive, de algo que percebi nas minhas atitudes ou na atitudes de pessoas próximas à mim.

Pode ser a história de algo que gostaria que fosse diferente no mundo ou algo que eu gostaria de ter força para mudar nele.

As vezes eu escrevo para contar uma história que serve como forma de extravasar um sentimento ruim que tive em relação ao trabalho ou às pessoas com quem convivo.

Pode ser também uma história que serve para ajudar alguém. Algo que aconteceu na minha vida e cuja experiência pode ser de algum valor para quem acabar por cair naquele texto.

Como sou desenvolvedor de software é muito comum que eu escreva a história de como resolvi um problema. Os tutoriais nada mais são do que uma linha de tempo de um problema resolvido.

“Quando percebi que tive esse problema resolvi dessa maneira”. Uma pequena história, mas que também pode ter valor para alguém que esteja na mesma situação em que estive.

As vezes conto a história de um questionamento que tive. Aquela famosa frase “você já parou para pensar…”. Eis algo que faço com muita frequência. Parar para pensar.

Pensar em coisas que normalmente não paramos para prestar atenção. De coisas bobas, como a origem de uma palavra específica, até coisas com certa profundidade, como o comportamento da sociedade e, é claro, o meu mesmo.

Enfim, Escrevo para transformar qualquer coisa em histórias e isso me dá prazer.

Sempre gostei de fazer isso. Desde muito cedo. Ainda criança criava histórias para passar o tempo no banco de trás do carro do meu pai enquanto viajávamos em família.

Naquela época elas ficavam apenas na minha cabeça, mas com o tempo comecei a ter prazer em contá-las.

Uma história criada pode ser contada de diversas formas. Através de longas conversas com um amigo, através de fotos de uma viagem, com páginas desenhadas de histórias em quadrinhos ou com vídeos e filmes.

Para mim não importa. Gosto de criar e contar essas histórias. Todas com um começo, um meio e um fim. É assim que elas se tornam interessantes.

A grande dificuldade na hora de escrever é conseguir traduzir as milhares de histórias que são criadas constantemente na minha cabeça para apenas alguns parágrafos de um texto como esse.

Tudo pode virar uma história, mas nem todas são boas.

O que importa é o prazer de escrever e imaginar que alguém também terá prazer em ler cada palavra.

Sendo elas como forem. Boas, ruins ou medíocres. Não importa.

Eram apenas pensamentos, foram traduzidos em palavras e jogados ao ar quando publicados.

Começo, meio e fim.

Como uma boa história.

Até a próxima!

Machine Learning está arruinando as timelines

Machine Learning é incrível.

Hoje em dia temos máquinas aprendendo o tempo todo e os dados se tornaram o novo petróleo. Quem tem quantidades gigantescas de dados de usuários tem grande valor de mercado. Isso acontece porque quanto maior a quantidade de dados mais as máquinas podem aprender sobre qualquer coisa. O que você gosta, o que você quer comprar, quais são as suas inclinações políticas e sociais, por onde você costuma andar, etc.

As possibilidades que podem ser criadas a partir da análise dos dados de uso de um aplicativo são incríveis. A ideia geral é que isso ajude na personalização de qualquer serviço que você usa.

Dois bons exemplos do uso de Machine Learning em redes sociais para mim são a página inicial do YouTube e a parte de Explore do Instagram. Ambos se ajustam muito bem ao tipo de conteúdo que eu me interesso nesses serviços.

Algo que poderia incomodar algumas pessoas sobre o uso de Machine Learning atualmente é a questão da privacidade, que é um assunto muito discutido nesse conceito de uso dos dados alheios.

Mas o que me chamou atenção e me incomodou mais ultimamente sobre o assunto é uma coisa que pode parecer muito mais boba e simples. As timelines das redes sociais.

A timeline tem esse nome porque deveria ser uma linha do tempo. É comum gostarmos de saber o que está acontecendo de mais atual com nossos contatos sociais e também aqueles influenciadores que seguimos.

Entretanto, com o uso do machine learning na maioria das timelines de todas as redes sociais, não temos mais uma linha do tempo. Temos uma lista de conteúdos que a máquina resolveu que é o mais interessante para o seu perfil. Perfil esse criado através da análise dos seus dados de uso da rede.

Eu tenho usado pouco as redes sociais ultimamente, meu acesso não passa de um por dia durante os dias úteis para algumas redes e um por semana para outros, e essa descrição que vou dar sobre a experiência que tenho pode não condizer com a experiência de alguém que usa muito as redes, portanto se esse for o seu caso enquanto lê, por favor, deixe um comentário me falando como funciona para você.

Toda vez que acesso uma rede acontece a mesma coisa: recebo conteúdos que foram postados há um bom tempo atrás misturados com conteúdos recentes. Cheguei a receber alguns com mais de um mês de idade na minha timeline.

Como eu disse antes, pode parecer bobo, mas eu não tenho interesse em receber coisas tão antigas para os padrões da internet. Isso é um pequeno problema que venho enfrentando, mas existe um pior. Pessoas que simplesmente não dão as caras mais no meu feed.

Você pode pensar “Ah, mas elas nem devem postar mais”. Foi exatamente o que pensei sobre essas pessoas até acessar seus perfis nas redes. Lá estavam conteúdos que eu gostaria de ter visto, provavelmente teria interagido, mas que nunca tive a chance.

A máquina decidiu que eu não deveria me interessar por um conteúdo de uma pessoa talvez porque ela poste de forma mais esporádica. Mas a máquina errou.

Eu não quero que a máquina escolha quem deve aparecer ou não no feed do meu aplicativo. Eu quero ter a opção simples de acessar as configurações da minha rede e escolher que a máquina não monte o minha timeline e deixe de escolher qual conteúdo eu devo ou não devo interagir.

Uma opção simples de configuração, mas que pode afetar todo um modelo de negócio de uma empresa que se baseia em análise de dados de uso para vender certo serviço de publicidade.

Como isso afeta o modelo de negócios das redes sociais? Vamos ver um exemplo.

Uma amiga minha vende produtos pela internet e o Instagram costumava ser sua maior fonte de clientes. Bem, ela teve uma queda gigantesca nas vendas assim que a nova timeline com Machine Learning entrou no ar neste aplicativo. Graças à isso agora precisa comprar posts patrocinados da rede social se quiser continuar conseguindo leads pelo app de fotos.

Você pode me perguntar se eu acho errado que se venda um serviço baseado no acesso dos meus dados. Bem, eu aceitei aquele termo de uso e sei que nada vem de graça nesse mundo. O Facebook não gasta milhões de dólares em servidores e funcionários para que você possa curtir aquela foto da sua tia. Ele investe para obter lucro.

É por isso que resolvi fazer uma mudança na forma como consumo conteúdo e voltar para algo que se usava muito na internet do passado. Escolher blogs e sites e seguir suas postagens através de um agregador de conteúdo, o Feedly. Ele também deve aproveitar meus dados para alguma coisa, mas pelo menos eu escolho de onde meus conteúdos vem, não é mesmo.

As redes sociais não são a internet. A internet é descentralizada por natureza. É por isso que apesar de publicar com certa frequência na minha conta do Medium eu também costumo postar sempre aqui no meu próprio blog. Fica aqui o link para um texto do Luciano Ramalho sobre o porque ter seu próprio site na internet.

Aguardo sua opinião nos comentários.

Até a próxima!

Retrospectiva 2017

Ao final de cada ano, desde 2015, comecei uma pequena tradição inspirada pelo meu amigo e chefe Fernando Freitas Alves. Escrever uma retrospectiva do ano que passou.

Talvez a parte mais importante seja parar para pensar em tudo que aconteceu. Minha grande motivação para escrever em 2015 foi o fato de que aquele ano me ensinou mais do que qualquer outro em toda a minha vida.

Já a retrospectiva de 2016 mostrou que ano passado foi de estabilização no trabalho e na vida pessoal. Apesar de não ter muitos avanços na parte da saúde, uma das metas que continuei tendo em 2017.

Como sempre faço em minha vida, em 2017 experimentei diversas maneiras de me manter em uma rotina mais saudável. Tentei algumas novas atividades físicas, como o Crossfit por exemplo, e infelizmente não consegui dar continuidade como deveria.

Também me arrisquei em técnicas de jejum intermitente para perda de peso e melhora da atividade cerebral… sem sucesso.

Graças a mais um ano de falhas na área da saúde percebi que preciso dar uma importância maior para este tópico na minha escala de metas para 2018. O primeiro passo já foi dado: horário marcado na nutricionista já para janeiro.

Mas tive uma pequena conquista nesse ano. Foi agora, bem no finalzinho, em dezembro mesmo. Foi uma amostra de que posso atingir algo se me esforçar um pouco. Parei de roer unhas! Graças a um aplicativo chamado Coach.me.

Roer unhas era um hábito que estava difícil de largar e por isso resolvi usar como um experimento desse aplicativo. Acredite se quiser, estou sentindo as unhas batendo nas teclas neste exato momento como há anos não sentia. Um pequeno passo, mas uma grande prova de que posso conseguir mudar alguns hábitos em 2018, certo?

Outra pequena conquista desse ano foi o café sem açúcar. Sempre tomei café muito doce, mas com a ideia do jejum intermitente veio a necessidade de tomar café ao natural.

O primeiro dia sempre é estranho. Você faz careta a cada gole, mas no dia seguinte eu já estava sentindo o gosto de diferentes tipos de café que temos disponíveis lá no escritório e decidindo os que realmente são do meu gosto.

No trabalho, que nos ocupa boa parte do tempo dentro de um ano, 2017 se mostrou estável. Continuo trabalhando como desenvolvedor na startup de legal tech Tikal Tech.

Com o lançamento de uma nova linha de produtos na empresa as coisas aconteceram rápido. Este foi o ano do ELI na Tikal Tech.

Graças ao desenvolvimento do ELI ICMS Energia tivemos uma experiência muito produtiva com arquitetura de microsserviços. Além de outras integrações interessantes como o Login Integrado do LegalNote para aplicativos ELI. Um sistema de gestão de acesso de usuários centralizado para diferentes aplicativos em Django.

Antes disso, mais pro início do ano, tive o prazer de participar da comunidade Chatbot Brasil. Até criei alguns chatbots e coloquei algum conteúdo por aqui sobre o assunto. Já na Tikal Tech implementamos o chatbot Corujinho na fanpage do SeuProcesso no Facebook. Foi uma experiência bem interessante.

Com o crescimento da empresa tivemos um aumento considerável no staff. Basta ver a  foto do pessoal na retrospectiva de 2015 e notar como as coisas mudaram! Veja a foto da equipe nesse ano.

Equipe Tikal Tech 2017

Falando em trabalho não posso esquecer das minhas férias. Este foi uma das grandes metas desse ano. Aproveitei  maravilhosos 30 dias de viagens e descanso merecido depois de muitos e muitos anos sem tirar férias.

O ponto alto foi a primeira semana em que eu e minha namorada passamos alguns dias em Paraty. Que lugar maravilhoso para aproveitar natureza, os locais históricos e, é claro, as praias e os passeios de barco. Que delícia!

Financeiramente 2017 também foi um ano muito bom para mim, pelo menos comparados aos últimos dez anos de perrengues e problemas para manter um orçamento estável. Graças à liberação do FGTS inativo consegui quitar algumas dívidas e até mobiliar um pouco minha vazia casa.

Mas o que realmente está fazendo a diferença é o estudo de finanças pessoais. Durante esse ano inteiro investi um bom tempo nesse tópico, seguindo canais de Youtube interessantes como o do Gustavo Cerbasi e o Me Poupe!, os quais indico muito a quem quer começar a sair do buraco.

Graças a isso, posso até começar a pensar em investir algum dinheiro para 2018. Nem que sejam apenas alguns trocados. A meta é montar uma reserva de emergência o quanto antes!

Para terminar, algo legal que voltei a fazer: desenhar.

Desenho desse ano! Yey!

Nesse ano de 2017 eu voltei a desenhar e até alimentei o meu canal que fala sobre criação de histórias em quadrinhos no Youtube. Separei os tópicos que falam sobre isso aqui no meu blog para um novo domínio separando assim os conteúdos.

Criei também um Instagram e voltei a alimentar a minha velha fanpage no Facebook.

Sempre adorei desenhar histórias em quadrinhos e manter um hobby divertido como esse é algo essencial para a qualidade de vida de qualquer um. Me fez um bem danado!

Participei pela primeira vez de um Inktober! Se quiser entender melhor o que é isso, é melhor dar uma lida na publicação que fiz no meu blog de desenho.

Bem, por cima esse foi o meu ano de 2017. Essa retrospecitva vale mais para quem escreve do que para quem lê, porque a parte mais legal é repassar o ano na sua cabeça. Rever o que foi feito e pensar em como melhorar no ano seguinte.

Se você leu até aqui, obrigado! Deixe seu comentário sobre como foi seu ano também!

Um abraço e até 2018!

Músicas e memórias

Basta dar um play e se transportar através do tempo

Poucos dias atrás eu descobri o Daily Mix do Spotify. Estava cansado de escolher músicas para ouvir enquanto trabalho e queria delegar essa responsabilidade para outrem.

O Daily Mix prepara cinco listas de diferentes estilos musicais baseado no que você costuma ouvir. Resolvi dar uma chance para uma delas e dei o play.

Uma das listas continha músicas de meados dos anos 2000 e a primeira já me transportou diretamente para uma lembrança gostosa.

Eu me impressiono com o fato de que os primeiros acordes ou batidas de uma música são o suficiente para ativar algo no cérebro que faz com que ele reviva um momento específico do passado.

Com uma das músicas voltei para um palco onde a Karma Patrol, minha banda na época, fez o que consideramos a melhor apresentação da nossa curta história. Participamos de um festival/concurso num gelado inverno em Florianópolis.

Senti o cheiro do gelo seco, a aflição de não estar enxergando as casas do baixo por conta do breu e da fumaça. Lembro da emoção de ter acertado o riff na hora que a música começou e de me soltar depois disso. De várias apresentações aquela foi a mais inesquecível. Rolou até bis

Outra música me levou para um tempo onde eu, muito jovem, arriscava qualquer coisa por um sonho. Me vi deitado em um colchão estendido no chão de uma escola em Uberlândia, sem o mínimo dos confortos, como ter uma geladeira ou fazer três refeições por dia.

Ali vivi por alguns meses em busca de sucesso em uma carreira incerta que fazia parte de um propósito maior. Larguei aquilo que seria o mais promissor dos trabalhos no conforto de minha cidade para arriscar tudo em outro estado, longe de casa.

Logo depois surgiram as notas iniciais de uma canção que marcou um verão tranquilo, com muita praia, muitos encontros com os amigos e paixões que não duravam mais do que um final de semana. Morava com os pais e ainda assim só reclamava da vida, queria morar sozinho. Se eu soubesse o que me aguardava nos anos seguintes…

Outra música me leva ao primeiro apartamento em que morei sozinho. Minha primeira casa. Alugada. Lembro de decorar pessoalmente cada pedacinho do espaço. Referências orientais por todos os cantos. Ideogramas, estátuas, leques pintados e um incensário de bambu.

Apesar da música ter me trazido essa lembrança, ela desaparece quando me vejo deitando no sofá em silêncio no início da tarde de um dos dias raros em que podia fazer relaxar após o almoço. Ouvia o vento movendo as árvores à frente da porta da sacada e era uma canção de ninar. O vento adentrava a sala e eu cochilava numa tranquilidade dificilmente encontrada nos dias de hoje.

A viagem foi ainda mais longe com a próxima música. Estava de volta à uma praia do litoral sul de Santa Catarina. Um adolescente que tinha prazer em se isolar e ficar ouvindo música sozinho dentro do carro do pai em dias chuvosos de verão. Enquanto os primos, irmãos ou tios jogavam algo para se distrair dentro da casa da vó, eu preferia a companhia das músicas que poucos deles apreciavam.

As histórias continuam aparecendo a cada nova música conhecida que toca. A viagem é tão prazerosa que pulo aquelas que não conheço ou que não me trazem memória alguma.

A lista de músicas do Daily Mix é infinita. Se deixar tocando ela não para nunca, vai adicionando novas músicas à playlist eternamente. Corro o risco de ficar preso no passado, sem conseguir voltar.

É hora de vir para o presente e criar novas memórias para o futuro. Podem não ser tão marcantes quanto essas, mas existirão.

Desligo o Spotify e levanto para tomar um café. Volto ao trabalho em seguida.