em Quadrinhos

Eu andei comentando sobre worldbuilding no meu último diário de criação de história em quadrinhos. Resolvi falar um pouco mais sobre o que é worldbuilding por aqui.

Vou começar esse assunto com a definição de worldbuilding segundo a Wikipedia em inglês (com minha tradução livre).

Worldbuilding é o processo de construção de um mundo imaginário, as vezes associado a todo um universo fictício.

Desenvolver um cenário imaginário com qualidades coerentes como história, geografia e ecologia é uma tarefa principal para muitos escritores de fantasia e ficção científica.

Worldbuilding costuma envolver a criação de mapas, história e população para o mundo construído.

A própria expressão em inglês worlbuilding já é bem autoexplicativa. World significa mundo e building construção. Ou seja, construção de mundo.

Como a própria Wikipédia sugere na citação que traduzi acima, o worldbuilding é muito comum para autores de ficção científica e fantasia, pois normalmente essas histórias não acontecem no mesmo mundo em que vivemos nosso dia-a-dia.

Eu citei essa questão no meu diário de criação de HQ.

Sempre escrevi e desenhei histórias que aconteciam no nosso mundo atual. Com exceção de um projeto chamado Zanecia em que eu criei todo um mundo de fantasia, com reinos, mitologia, história, população, etc. Um dia eu conto mais sobre esse meu projeto de 15 anos atrás que teve apenas uma HQ piloto.

Por isso tenho pouco experiência com worldbuilding e criar Magnos (meu atual projeto de história em quadrinhos) está me fazendo estudar muito sobre esse assunto.

Criando mundos

Existem diversas formas de criar um mundo novo para sua história. Pode ser um mundo completamente fictício com raças inventadas, com um sistema de magia próprio e etc, vide Senhor dos Anéis.

Como também pode ser um mundo futurista que também tem essas características, mas que tem como base a nossa própria história do passado, por exemplo Star Trek.

Eu admiro muito a construção do mundo de Fullmetal Alchemist, por exemplo. Esse estilo steampunk e com um sistema de magia único (uma alquimia meio mágica) são muito bem desenvolvidos. Mas o que mais me atrai é a abordagem do sistema político e social do país criado para o mangá.

Outro worlbuilding que eu gosto demais e que é extremamente detalhado e com um passado muito bem escrito é o de Game Of Thrones. Esse usa muito da própria história da Grã-Bretanha como referência, ou seja, eventos reais são inspirações para o autor criar os eventos fictícios do passado desse mundo construído.

Eu tenho tentado trabalhar de forma parecida na minha história em quadrinhos também. Usando um pouco de referência histórica do nosso país para tentar criar os eventos fictícios do mundo que estou construindo. Mas não é fácil.

Um dos mundos que mais admiro é da série de animação Avatar: The Last Airbender. É muito bom! Dá uma olhada no mapa detalhado do mundo de Avatar aí abaixo.

Mapa do mundo de Avatar

Métodos para criação do mundo

Ainda seguindo o artigo da Wikipédia, vamos ver dois métodos para criação de mundos que são descritos por lá.

Eles não são métodos únicos ou obrigatórios, mas podem dar uma ajuda para quem está começando.

Método “de cima para baixo” (top-down)

Neste método o autor começa criando uma visão abrangente do mundo, determinando características gerais como os habitantes, o nível de tecnologia, as características geográficas, o clima e a história.

A partir daí, é desenvolvido o resto do mundo aumentando o nível de detalhamento.

Um mundo construído a partir desse método costuma ser bem integrado. Mas pode exigir muito trabalho antes de você conseguir começar a sua história.

Método “de baixo para cima” (bottom-up)

Neste método o criador foca em uma pequena parte do mundo que será necessária para atingir seus objetivos. Uma quantidade considerável de detalhes é desenvolvida para essa pequena parte, como geografia local, cultura, estrutura social, governo, política, comércio e história.

Indivíduos importantes para esse local podem ser descritos, incluindo o relacionamento entre eles.

As áreas em volta são descritas com um nível menor de detalhe e podem ser melhores desenvolvidas a medida que a história vá avançando e possa envolver algum desses locais.

Esse método traz uma facilidade, porque o cenário pode ser usado quase que imediatamente para a história, não cabe tanto esforço para sua criação. Entretanto, pode acabar trazendo um mundo cheio de inconsistências.

Abaixo o mapa do território de Amestris, da série Fullmetal Alchemist, e que pode ser um bom exemplo de worlbuilding com o método bottom-up.

Mapa de Amestris de Fullmetal Alchemist

Combinando os dois

Combinando os dois métodos descritos o autor pode se beneficiar muito, ganhando a consistência do top-down com os detalhes do bottom-up.

Mas além de difícil de se fazer ainda pode trazer o dobro de trabalho para o mesmo.

Elementos a serem trabalhados no worldbuilding

Os melhores mundos fictícios possuem os seguintes elementos muito bem desenvolvidos.

Não são os únicos a serem detalhados, mas podem ser um início para quem quer começar a trabalhar no seu mundo inventado (como eu, por exemplo).

Trabalhar os detalhes em cada um deles já pode dar um direcionamento para o seu worldbuilding.

Geografia e história

Algo que me agrada muito na criação de mundos é a geografia do lugar.

Gosto de mapas e de imaginar como as divisões aconteceram. Isso envolve os dois items: geografia e história.

Na criação do mundo de Zanecia, que citei antes, a própria geografia se misturava com a mitologia do lugar. Um grande vale, que mais parecia um corte na terra visto no mapa, era creditado a uma batalha entre os seres mitológicos da cultura local.

As grandes cordilheiras que separavam o ocidente do oriente nesta mesma história também tinham uma ligação com a mesma batalha mitológica.

Desenhar mapas e localizar o que acontece em cada lugar é algo que faz parte do conceito de worldbuilding, principalmente em histórias de fantasia.

A história também é muito importante.

Como chegou até onde está, social e politicamente, o mundo que você criou?

Como o rei que domina a região, por exemplo, chegou até o poder? Ele vem de uma família de conquistadores ou de comerciantes que compraram o território de um outro reino que estava falido?

São muitas as possibilidades, mas criar uma história para seu mundo traz mais curiosidade para o leitor saber detalhes sobre esse lugar inventado.

Pessoalmente, a história é algo que me atrai muito nos mundos construídos pelos meus autores favoritos.

População e cultura

Alguém precisa habitar o seu mundo construído, não é mesmo? Então criar os habitantes ou a população é uma parte importante.

Você pode criar raças diferentes, com origens diferentes, culturas, etc. Mas o importante é que tenha uma coesão entre os viventes do seu mundo.

Por exemplo, se um povo viveu isolado durante muito tempo e depois foi dominado ou misturado com um outro povo, faz sentido que ambos tenham culturas divergentes e que um absorva um pouco da cultura do outro. Como acontece no mundo real.

Conflitos entre diferentes culturas também são importantes para dar credibilidade. Infelizmente é assim que nosso mundo funciona e esses conflitos vão ajudar o leitor a relacionar seu mundo inventado com algo que ele possa acreditar que existiria.

Como já citei anteriormente, podemos nos basear em eventos reais para chegar nesses conflitos ou nas organizações política-social desses povos.

Como por exemplo em Game of Thrones, onde os selvagens de depois-da-muralha são baseados em povos que existiram na Grã-Bretanha.

Os selvagens têm estruturas sociais semelhantes aos britânicos pré-romanos ou escoceses: as sociedades principais organizadas em tribos e clãs que não eram politicamente unificadas.

Fonte: History Behing Game Of Thrones

Dentro do quesito cultura também podemos inserir o contexto espiritual. Uma religião ou um conjunto de crenças dominantes em um povo específico.

Para ser ainda mais realista seria interessante que dentro da mesma religião houvesse mais de uma linha, como na vida real o cristianismo não segue somente através do catolicismo, mas também nas religiões protestantes.

O importante é que as pessoas que vivem no seu mundo sejam críveis, ou seja, que o seu leitor possa acreditar que aquele povo realmente pudesse existir de alguma forma.

População de Magnos

População de vila da minha história Magnos.

Concluindo…

Esses são alguns dos pontos importantes sobre criação de mundos ou worldbuilding.

Espero ter conseguido explicar este conceito importante tanto nos quadrinhos como em qualquer outra mídia usada para contar histórias de fantasia ou ficção científica.

Se você gostou do assunto e quer que nos aprofundemos mais nesse assunto no futuro, deixei um comentário me avisando.

Se quiser dar uma olhada em como estou criando minha HQ chamada Magnos, leia os diários de criação de HQ: Diário 001, diário 002 e diário 003.

Até a próxima!

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