em Personagens, Quadrinhos

Na hora de contar uma boa história nada é mais importante do que sobre quem ela nos fala. Personagens interessantes fazem parte de histórias interessantes. Mas como criar bons personagens?

Lembrando que criar quadrinhos é contar uma história através de imagens e texto. Por isso eu sempre indico que se estude sobre estrutura de história na hora de começar a criar uma HQ.

Desenvolver personagens interessantes é o maior desafio em qualquer história, não apenas nos quadrinhos.

Já falei um pouco sobre esse tópico no post sobre os 3 erros que cometi criando HQs, mas esse assunto não é simples o suficiente para apenas um item em um post ou até para apenas um ou dois textos.

Então vou levantar mais alguns pontos sobre criação de personagens.

Nem todos esses pontos são obrigatórios para que um personagem seja bom, mas podem ser combinados e adaptados para dar forma à sua criação.

Personagens que geram empatia

Um bom personagem deve gerar empatia no seu leitor. Mas o que é empatia?

Segundo o site Significados:

Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo.

Simplificando. É uma maneira de dizer que o leitor deve conseguir se colocar, de um jeito ou de outro, na pele do personagem.

Se o seu leitor conseguir sentir o que seu personagem sente ou se colocar no lugar dele, a chance de que ele se envolva mais com sua história e queira continuar acompanhando é muito maior.

O leitor pode até não gostar do seu personagem, mas se entender os seus motivos ou seus sentimentos tem mais chance de se interessar pela história.

Personagens com grande capacidade de execução ou geniais

Personagens gênios, que são muito bons em algo ou que executam uma tarefa com maestria podem chamar muito a atenção dos leitores.

Esses personagens são interessantes pelas suas qualidade de execução e não necessariamente pela sua personalidade adorável.

Muito provavelmente a sua genialidade não gere muita empatia do leitor, porque gênios costumam ser muito excêntricos, mas isso será compensado pela vontade de vê-lo executando algo ou colocando suas habilidades incríveis em prática.

Nos quadrinhos temos o exemplo do Batman, um detetive gênio e estrategista, mas um ser humano sombrio e abalado por seus traumas do passado.

Temos também aqueles com grande capacidade de execução de alguma tarefa, porém com uma personalidade mais leve e de mais fácil identificação. Que geram mais facilmente uma empatia do leitor.

Personagens com falhas de caráter

Esse é o tópico que já comentei no post 3 erros que cometi criando HQs. As fraquezas do personagem são parte fundamental do que o deixa interessante.

Citando meu próprio texto:

O leitor precisa se identificar com os personagens que está lendo e fica muito difícil isso acontecer se ele é um ser humano ideal, cheio de virtudes e sem nenhuma falha de caráter.

Um personagem “perfeito” deixa a história chata. Para ser interessante é preciso que o personagem tenha falhas e cometa erros.

Voltamos ao primeiro tópico agora, falando sobre empatia.

Como seres humanos nós tendemos a nos identificarmos com coisas parecidas conosco. E seres humanos possuem falhas. Simples assim.

Por isso não conseguimos acreditar em personagens sem falhas. Eles não são críveis, não parecem reais o bastante.

Mas quais falhas poderíamos usar?

Podemos ter um personagem preguiçoso, mentiroso, covarde ou qualquer outra falha que nós todos podemos ter.

O importante é que se forme o caráter do personagem tanto com qualidades como com fraquezas.

Essas falhas podem (e devem) ser exploradas para ajudar na evolução do personagem durante a história, mas esse é outro tópico que quero abordar em um conteúdo futuro aqui no blog.

Alguns exemplos…

Vou finalizar mostrando alguns personagens que combinam os tópicos que mostrei aqui.

Lembrando que são apenas alguns dos itens importantes, servem mais para começo de conversa sobre criação de personagens interessantes.

Que tal analisarmos o exemplo anterior, o Batman. Ele possui muitas qualidades como detetive, estrategista, lutador, etc. Mas também possui falhas como problemas de relacionamento e traumas de infância que o deixam com mais facilidade de gerar empatia dos leitores.

Entretanto, o que mais chama a atenção nele é sua capacidade de execução e genialidade.

Queremos ver o Batman usando suas qualidades para resolver os problemas que enfrente. É isso que chama tanta atenção nesse personagem. Ele é genial.

No caso do Superman, temos um personagem formado somente de virtudes. Ele praticamente não tem falhas de caráter, apesar de ser um personagem icônico.

Talvez por isso muitas das histórias criadas com esse personagem acabem não sendo tão interessantes. Ele é o arquétipo do ser humano perfeito, aquele que não existe. Isso torna o trabalho dos escritores ainda mais complicado.

Mesmo assim, grandes roteiristas de quadrinhos criaram grandes histórias para esse personagem. Isso mostra o quanto eles são ótimos story tellers, ou contadores de histórias.

Uma das histórias do Superman que me chama a atenção é exatamente sobre suas possíveis fraquezas. Falo dos quadrinhos de Injustice. Nessa história ele comete uma falha e passa a não acreditar mais nas virtudes do mundo. Isso faz com que ele acabe se tornando um ditador tirano.

Bem, é isso por hoje. Como eu já comentei, esse é um começo de conversa sobre criação de personagens interessantes para nossas histórias em quadrinhos.

Se você quer mais conteúdo sobre esse assunto, deixe um comentário aí embaixo!

Até a próxima!

Deixe seu comentário

  1. To com dificuldade, por que só quero melhorar meus personagens principais. E não tenho muita criatividade nos coadjuvantes ,como faço pra mudar isso

    • Os personagens coadjuvantes são importantíssimos para a história. Muitas vezes alguns dos seus leitores podem não se identificar tanto com os protagonistas e acabam se enxergando nos coadjuvantes. Por isso é muito importante que você foque neles também. Crie personagens coadjuvantes que você goste tanto quanto os protagonistas! =)

  2. Oi! Eu estou tentando criar uma personagem principal que é constantemente apagada por um outro importante personagem. Só que, por mais que eu tente, não consigo “criar” uma personalidade “fechada”: as vezes ela é sonhadora, ou tímida, ou extremamente desconfiada e nervoza. O passado dela é triste. Que tipo de personalidade você crê que seria apropriada para alguém (garota) que perdeu os pais quando nova e é constantemente negada pela sociedade, mesmo sendo um gênio?
    Obrigada por ler 🙂

    • Que legal seu comentário, Francesca! Muito obrigado!

      Sobre sua personagem, ela parece ser alguém instável emocionalmente. Isso é algo que pode ser explorado na personalidade dela. Uma dica para definir melhor sua personagem é responder algumas perguntas básicas que podem te ajudar a definir como ela vai agir durante sua história.

      • Como ela age quando está brava?
      • Como ela lida com frustrações do dia-a-dia?
      • Qual é a relação dela com o personagem que a “apaga”?
      • Como ela enxerga o mundo a sua volta?
      • O que a deixa feliz?
      • O que a faz se sentir bem?
      • Quais as motivações e objetivos que ela tem?
      • Essas motivações e/ou objetivos tem alguma relação com o passado dela?
      • Quais os pontos fortes dela?
      • E os fracos?
      • Quais eventos do passado dela definiram esses pontos fortes?
      • E quais definiram os pontos fracos?

      Você precisa conhecer profundamente a sua personagem. Essas perguntas podem te ajudar a fazer isso, porque você vai parar para pensar em todos esses aspectos e vai se aprofundar cada vez mais na personalidade dela.

      Claro que essas são apenas algumas das perguntas que você deve fazer. Eu quero fazer um post sobre essas perguntas de perfil de personagem no futuro. O que acha disso? Devo fazer?

      Espero que eu tenha ajudado de alguma forma e obrigado novamente pelo comentário! =)