Depois de alguns anos sem publicar nada no meu blog, principalmente por problemas técnicos (que tive preguiça de arrumar até esse ano), estou ansioso para voltar a escrever… mesmo sabendo que poucos vão ler.
Sempre gostei de criar conteúdo escrito, mantenho esse blog desde 2003, mas nos últimos anos acabei focando mais naquilo que mais traz engajamento nos dias de hoje: o conteúdo audiovisual.
Sim, ainda existe muita gente que prefere ler algo do que assistir o mesmo assunto explicado em um vídeo, como minha esposa Lu, por exemplo, mas vivemos num mundo que se moldou em volta do audiovisual de consumo rápido.
As músicas praticamente não são mais lançadas sem um “visualizer” ou um videoclipe completo publicado na internet.
Livros e quadrinhos não são mais descobertos sem que algum influencer, seja de pequeno, médio ou grande porte, os impulsione através de um vídeo no Youtube ou até mesmo nos famigerados “vídeos curtos”.
Eu diria o mesmo do cinema, na verdade.
O que seriam dos blockbusters de super-heróis se não fosse a legião de influenciadores que tranformaram esse gênero de cinema em ganha-pão.
E que por isso continuam tentando fazer com que eles tenham relevância ainda hoje, mesmo todo mundo já sabendo que essa era já se encerrou. Eles voltaram a ser um nicho e não mais atingem o grande público.
Ainda estamos apenas falando de entretenimento aqui… mas e a pseudo-sabedoria que invadiu a cabeça das pessoas através desse mesmo meio?
E aqui falamos principalmente dos vídeos curtos, porque Tiktok pode parecer algo de jovem, mas tem muita gente da terceira idade consumindo tudo por lá.
É nesse formato de mídia que as teorias mais descabidas encontram sua câmara de eco, mesmo com zero comprovação.
Estamos falando de emagrecimento milagroso, passando por formato do nosso planeta e chegando em chips injetados desde os anos 80 nas pessoas para controlar a população.
Não é preciso nenhum chip para isso.
A grande mídia sempre fez esse trabalho muito bem e está um pouco desesperada porque agora isso se tornou algo descentralizado.
Não é mais tão fácil controlar o que cada pessoa vai acreditar como já foi um dia… no tempo em que apenas um jornal noturno era o suficiente.
Mas já estou fugindo do assunto…
Acredito que muita gente acha que nós passamos a ler menos, até assisti um vídeo curto (irônico essa ser a fonte?) que mostrava uma entrevista dos anos 70 em que as pessoas diziam a quantidade de livros que liam por mês. Nele, ler cinco era o mínimo para os entrevistados.
Só que era uma época em que a TV não era acessível. Então ou era rádio ou livros.
Depois disso, foi a TV que dominou o mundo por décadas.
E agora, a internet.
A leitura já estava se perdendo com o passar do tempo.
A internet parece apenas ter dado o golpe final nela.
Sempre haverão os nichos de leitores, mas a grande massa da população prefere os vídeos curtos à qualquer bom livro.
Mas mesmo assim cá estamos.
Eu faço quadrinhos, escrevo aqui e ainda assim crio vídeos curtos (e longos) para que as pessoas cheguem até meu conteúdo escrito/desenhado.
Não adianta lutar contra, é preciso se adaptar.
Cá estamos.
E o tempo não dá ré.