Um belo dia, ao voltar de um longo período na praia, cheguei em casa e abracei a parede.
Disse que estava com saudade daquele lugar, conta minha mãe.
Acho muito curioso, porque eu era tão jovem que não consigo me lembrar. Provavelmente uns seis ou sete anos de idade.
Sempre tive uma certa nostalgia precoce pré-instalada em mim. Acho que vim de fábrica com ela.
Vejo algo semelhante hoje na minha filha. E filhos nos fazem voltar no tempo e analisar nossa própria infância.
Alguns anos depois do abraço na parede, me vejo mais velho, agora pré-adolescente, voltando para a cidade em que cresci.
Sempre fazia isso nas férias.
Lembro de sentir uma nostalgia quase doentia da casa em que vivi e a qual meu pai ainda vivia por conta do trabalho na época.
Era como voltar para um tempo que já havia passado. Eu não abraçava paredes, afinal perdemos a espontaneidade com a idade, mas o sentimento era o mesmo.
A nostalgia é intrigante, porque sua definição é a mistura de carinho e melancolia por um tempo, lugar ou momento do passado, segundo a Wikipédia (lembra de quando pesquisávmos as coisas lá? Que saudade).
Sinto que hoje eu tenho um tipo de nostalgia bem diferente daquela da infância. Vamos dizer que minha nostalgia hoje bate com a quantidade de anos vividos.
Não sinto mais saudade de espaços, mas sim de tempos, como alguém que finalmente começou a perceber que está envelhecendo.
Por isso faz mais sentido ser nostalgico hoje.
Já entendi que o tempo não volta e que os espaços também não resistem à sua passagem. Eles mudam, se transformam.
O que vivemos, vivemos não apenas em um espaço, mas sim em um ponto no espaço-tempo que nunca mais voltará a existir.
Isso prova que cada segundo… centésimo de milésimo de segundo, na verdade, da vida de cada ser é sempre único. Ninguém vive o que você está vivendo no aqui e no agora. Só você.
Aqui e agora. Espaço e tempo.
Um ponto único e exclusivo.
Uma singularidade.