Um dia desses, enquanto batia um um papo com um colega de trabalho, ele me falou dois conceitos que eu ainda não conhecia, mas que fizeram muito sentido pra mim.
O primeiro, pessismo protetivo, descreve aquela pessoa que prefere acreditar que as coisas vão dar errado para não se expor à possibilidade da frustração.
Falávamos da Copa do Mundo e ele, que é Alemão, trouxe esse conceito à tona porque acha que os brasileiros que preferem desacreditar da seleção durante a copa estão nesse estado mentalmente.
Preferindo acreditar que não vai pra frente, pra evitar uma frustração muito grande quando o time for desqualificado da competição.
Conheço algumas pessoas assim, que se preparam para o pior sempre.
Eu não sou uma delas.
E por isso, foi o outro conceito que me chamou mais a atenção.
Otimismo ingênuo.
Ouvir essa expressão foi quase uma catarse mental.
Eu sou um otimista ingênuo!
Foi como se tudo fizesse sentido.
Ao contrário de um pessimista protetivo, eu me frustrei uma quantidade incontável de vezes na vida, sempre acreditando estar seguindo o caminho do sucesso.
Na verdade, sou um poço de frustrações e arrependimentos acumulados.
Continuando a conversa com meu colega, ele me disse que acredita que os otimistas ingênuos podem se frustrar muito mais, mas também acabam dando mais espaço pra sorte porque estão sempre abertos à todas as possibilidades.
Taí algo que fez ainda mais sentido pra mim.
Eu tive muitos privilégios crescendo e isso por si só já é uma sorte, mas também tive muita sorte que veio de uma oportunidade em que enfiei a cara no otimismo e na ingenuidade de acreditar.
Talvez tive tantas sortes quanto frustrações no que diz respeito à oportunidades que apareceram.
Fiz tantas coisas que um pessimista protetivo acharia insanas que não tenho como explicar como as coisas acabaram dando certo pra mim.
Comecei uma carreira de programador saindo do ensino médio-técnico quando isso ainda não era o suprassumo da carreira dos sonhos. Eu mesmo nem gostava, mas fui aprender por conta de amizades da escola.
Hoje é uma das carreiras que melhor paga no mundo todo. Vai dizer que não é sorte?
Isso é só um dos exemplos de sorte que dei sem planejar muito, só dando chance às oportunidades que apareciam.
Além disso fiz mais coisas que poderiam dar muito errado (e que até deram no começo), mas que acabaram dando certo.
Desde mudar de cidade só com uma mochila nas costas para dar aulas de arte marcial e acabar retomando a carreira que sustenta minha família hoje.
Até participar de uma entrevista para trabalhar em língua estrangeira sem nunca ter tido uma conversa naquela lingua por mais do que alguns minutos na vida toda. E acabar encontrando oportunidades de ouro.
Acreditar no “porque não?” em vez de perguntar “será que vai dar?” tem funcionado melhor do que eu poderia imaginar.
Claro que a frustração também vem muitas vezes, até pela parte do “ingênuo” desse conceito todo.
As facadas nas costas doem.
As quedas duras que provém de momentos de ilusão de grandeza são destrutivas para a mente.
A planilha que aceita qualquer coisa, mas que geralmente não bate com realidade.
Essa já me deixou tão no chão, mas tão no chão, que somente o meu otimismo ingênuo foi capaz de fazer eu ter coragem de me levantar da sarjeta.
Não acho que isso é pra todo mundo, mas eu não sei ser pessimista protetivo, não funciono assim.
Então preciso continuar acreditando que vai dar certo e continuar me arrependendo no começo, quando não dá, e ficando feliz depois que der.
Algumas vezes funciona e outras não.
Mas uma coisa que tenho certeza que jamais vai funcionar… não tentar.