Se tem uma coisa que eu gosto de investir tempo durante a produção das páginas do meu quadrinho é em localizar o leitor onde a cena está rolando.
Na maioria das vezes eu quero apenas um quadro (grande ou pequeno) com um plano super aberto mostrando onde a cena acontece já de cara.
Isso “localiza” a pessoa que tá lendo no ambiente da cena.
Aonde aquilo está acontecendo, em que posição os personagens estão em relação um ao outro e em relação ao cenário, etc.
Tenho até um vídeo falando sobre isso no meu canal do youtube -> https://youtu.be/rI9ubokfQak
Já estes quadros aqui do post são da primeira página do próximo capítulo de Tailer.
Essa cena não vai ter o cenário de cara, mas sim closes de itens do cenário intercalados com quadros em super close do personagem percebendo o ambiente.
Isso vai contra a ideia de “economizar” desenho de cenários localizando o leitor no quadro inicial da cena.
Mas por que?
Essa foi uma escolha pensada para dar o clima certo pra essa cena.
Nesse caso eu quero que o leitor sinta a mesma sensação que o personagem está sentindo.
Não quero que ele entenda onde está até que o personagem também perceba.
Então em vez de um quadro de plano aberto já mostrando o cenário, escolhi ir com vários closes de objetos que estão em volta do personagem para que ele entenda aos poucos onde está.
Ambos, pessoa que está lendo e personagem, vão descobrir juntos onde a cena vai rolar.
Estou gastando uma página inteira para dar essa sensação.
Somente na virada de página é que vou jogar o plano aberto localizando todo mundo na cena.
Esse é o tipo de coisa que eu adoro na narrativa visual de quadrinhos.
A possibilidade de manipular e surpreender quem está lendo com uma sequencia específica de quadros e com uma virada de página.
Fazer quadrinhos é daora demais! wip


