Eu gosto de usar sombra pesada em alguns quadros, mesmo que não bata com a luz dos quadros anteriores. Mas por que?
Sempre fui um quadrinista muito pé-no-chão, sempre tantando fazer tudo muito “consistente” nas cenas.
Tanto o sombreamento, quando a perspectiva, a relação do cenário com a posição dos personagens, etc.
Tinha que ser tudo muito consistente em cada quadro.
Só que isso me deixou preso, longe de atingir a verdadeira potencialidade da linguagem dos quadrinhos!
Por isso a Parte 21 (024 – Partida) de Tailer foi um divisor de águas pra mim. Porque eu tentei ser menos óbvio lá (apesar de ainda manter tudo consistente demais para uma “viagem”).
E agora eu tenho tentando quebrar um pouco mais a consistência em favor do subtexto ou da metáfora visual que melhor conta a história.
Esse quadro que tá aqui no post é a sequencia de uma cena de luz do dia comum, muito direta. Sem tanta sombra.
Mas como ele fecha o capítulo, esse olhar tem que ser impactante.
Então porque não usar um contraste de luz e sombra mais forte com um fundo preto pra dar essa sensação do que o personagem está pensando na hora.
Não tem a ver com cena da reação real dele, mas a metáfora visual do que ele está sentindo.
Sei lá se estou viajando muito aqui, mas pensei nisso quando acabei de desenhar esse quadro agora de manhã e queria compartilhar esse pensamento com vocês =D
Quem não curte viajar nas ideias de narrativa visual dos quadrinhos, né? Eu gosto!
