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Crônicas

Mudando de ideia

Eu quero dizer
Agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Nada é absoluto neste mundo, tudo está em constante transformação. Então por que as pessoas ainda se surpreendem quando alguém tem a coragem de mudar de opinião? O ser humano tem necessidade de afirmar suas opiniões e escrevê-las em pedra, para que possa dizer “eu penso assim”. Mas qual é o problema de ser flexível?

Sempre existe a possibilidade de que novas informações sejam adicionadas à equação e a mesma resulte de maneira diferente. A maior prova disso é a maturidade, quando surge a pergunta: “O que a criança que você foi pensaria do adulto que você se tornou?”. O que a criança que fui sabia sobre as experiências que passei nestes muitos anos entre ela e o adulto que sou hoje? Se nenhuma variável tivesse sido alterada, eu provavelmente seria hoje um agente secreto viajando pelo mundo em aventuras incríveis.

Eu entendo que esta pergunta é uma metáfora sobre a inocência, mas é um exemplo perfeito sobre como as variáveis alteram o resultado, ao meu ver. É matemática pura.

O mesmo ocorre com alguma opinião que tínhamos na semana passada e, após adquirir novas informações, ela pode ter sido completamente alterada, talvez até se tornado o “oposto do que eu disse antes”. O que muitas vezes nos impede de dar o braço a torcer e admitir que agora pensamos diferente é o orgulho.

Admitir que você “estava errado” e que agora pensa de forma diferente é uma prova de humildade e de que suas experiências estão realmente fazendo alguma diferença na sua vida. Isso não quer dizer que você é uma pessoa volúvel ou “sem opinião” e sim que tem a capacidade de aprender com os erros e com as vivências que tem.

Entrar em uma discussão para “ganhar” e jamais admitir que os argumentos que o outro lhe expôs podem fazer alguma diferença na sua vida é estupidez. Normalmente é nessa situação que a ignorância substitui os argumentos.

Estar sempre aprendendo com tudo que acontece ao seu redor, essa é a melhor forma de evoluir como ser humano. E esta é a minha opinião hoje, talvez amanhã ela mude. Afinal, eu sou uma metamorfose ambulante.

Por Marcus Beck

Sou quadrinista, desenvolvedor de software, marido da Lu e pai da Laura.

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