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Aproveitando o caminho

Em um bate-papo que tive um tempo atrás alguém entrou no assunto “deve-se apreciar a viagem e não só o destino“. Basicamente, isso quer dizer que eu devo gostar tanto das inacabáveis horas no carro na Régis Bittencourt quanto das praias de Florianópolis… esse sempre foi o meu ponto de vista sobre o assunto.

Ultimamente eu andei revendo meu conceito. Não necessariamente sobre a Régis Bittencourt, mas sobre aproveitar melhor a vida, ou seja, viver o presente com mais intensidade do que esperar pelo futuro.

Mas como podemos apreciar a viagem se o que mais queremos é que inventem logo uma máquina de teletransporte?

Vivemos em um mundo cada vez mais imediatista, buscando resultados cada vez mais rápidos e eficientes, e, de preferência, sem que precisemos sair da frente do computador. As pessoas não querem esperar a planta crescer, por exemplo, regando, cultivando, dando atenção, querem comprá-la pronta e de plástico, para não ter que “perder tempo” cuidando.

Acreditam que vão votar hoje e amanhã o candidato vai resolver o problema da paz mundial. Querem ter um bom emprego logo, mas não querem começar de baixo. Querem uma promoção no trabalho logo, mesmo que a dedicação seja mediana e, se não vier, trocam de emprego. Compram um gadget novo logo que ele é lançado, mesmo sabendo que o antigo ainda poderia dar conta do recado por mais alguns anos.

Esse imediatismo está presente em nossa vida e é ele que nos faz querer pular o caminho e chegar logo no destino. É como se o tempo estivesse mais curto para todos e qualquer caminho percorrido é uma perda de tempo. Isso gera muita ansiedade e stress nas pessoas.

Para mim, aceitar que existem sim belezas no caminho não é fácil, porque faço parte desta geração para a qual ontem já é passado e o hoje é uma busca pelo amanhã. Só que o amanhã nunca chega, porque a vida acontece hoje.

“O passado é história, o futuro é mistério, o agora é uma dádiva e por isso se chama presente” (do filme Kung Fu Panda)

Estou tentando absorver essa filosofia para, consequentemente, diminuir a ansiedade que gero pelo que ainda nem aconteceu. E aproveitar o caminho que estou percorrendo para atingir isso é a primeira lição.

Por Marcus Beck

Sou quadrinista, desenvolvedor de software, marido da Lu e pai da Laura.

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