Como Tudo Começou: A História Do Meu Primeiro Emprego

Como Tudo Começou: A História Do Meu Primeiro Emprego

No ano que vem, 2023, vou completar 20 anos de carreira em desenvolvimento de software. 20 anos desde que entrei no meu primeiro emprego como programador.

Eu tinha 17 para 18 anos quando “escolhi” ser programador.

Parece algo bem razoável, não é? Afinal, hoje em dia é muito comum ver os jovens considerarem a carreira em tecnologia como uma opção para o futuro.

Eu diria até que, hoje em dia, mesmo pessoas que já se estabeleceram em outras áreas de atuação estão se esforçando para pivotar suas carreiras para a área de tecnologia da informação.

É fácil entender o motivo disso.

Atualmente a tecnologia é uma das carreiras que melhor paga e os salários vem crescendo cada vez mais.

Só que em 2002 não era nem um pouco assim.

Desenvolvedor de software era um trabalho de escritório como qualquer outro e ponto final.

Nada do glamour que se vê nos dias de hoje.

Mas então por que eu, um adolescente de 17 anos, escolhi entrar nessa área lá em 2002?

Bem, foi mais ou menos assim…

O curso técnico

Em 2001 eu passei na prova para ingressar na Escola Técnica Federal de Santa Catarina.

Escolhi prestar a prova para a ETFSC porque meu objetivo era estudar de graça e começar a ganhar algum dinheiro antes mesmo de me formar no ensino médio.

Lá eu sabia que poderia ter um estágio remunerado já no segundo ou terceiro ano de estudos.

Eu estava de olho no curso técnico de Segurança do Trabalho porque já tinha pesquisado no site da Escola e visto que eram os estágios com o melhor salário da lista.

Chegavam a MIL REAIS por mês! Meus olhos brilhavam!

A questão era que minha família estava passando por uma situação financeira bem ruim já faziam alguns anos e eu, como filho mais novo, queria muito poder começar a colaborar com as despesas de casa o quanto antes!

Só que não era só entrar na ETFSC e sair estagiando.

Era preciso fazer dois semestres de ensino médio convencional (equivalentes ao primeiro ano do ensino médio) e só depois escolher um curso técnico para cursar… e mais alguns semestres para correr atrás do estágio.

O caminho era longo, mas a possibilidade de fazer grana em algum momento me deixava empolgado.

Os freelas

Obviamente eu não era o único que estava interessando em ganhar uma grana para ajudar a família.

Outros dois colegas que conheci na ETFSC estavam começando a fazer sites sob encomenda.

Eles já tinham “as manha” de programação e mandavam bem pra caramba.

Como eu criava quadrinhos desde os anos 90 e tinha descoberto que ter um site poderia me ajudar a divulgar minhas obras, aprendi a fazer sites usando uma ferramenta chamada Front Page.

Sites estáticos mesmo. Puramente HTML.

Neles eu publicava meus quadrinhos.

Eles sabiam disso e me chamaram para ser o “designer” do grupo.

Enquanto eles programavam o site eu me virava para fazer o “design”.

Design era o nome dado para o que hoje chamamos de front-end e o UX na área de desenvolvimento de software.

Chegamos a pegar alguns freelas, mas nada ia muito pra frente…

A escolha do curso

Era final do segundo semestre e o momento de escolher um curso técnico se aproximava.

Depois de um ano estudando lá eu já tinha meus amigos e, como todo adolescente, queria ficar próximo a eles.

Foi então que acabei escolhendo o mesmo curso de alguns dos meus amigos… aqueles mesmos com quem eu estava tentando conseguir uns freelas.

O curso se chamava Técnico em Informática (Sistemas de Informação) e era apenas a segunda turma existente na história da ETFSC.

Na verdade, nessa época a ETFSC já estava se transformando em CEFET/SC e tudo lá dentro estava mudando muito.

Então tivemos que fazer o Ensino Médio de manhã e o técnico a tarde… foi uma loucura.

De qualquer forma, lá estava eu, fazendo o curso de Informática e não de Segurança do Trabalho…

O estágio

Sabe o que é pior? Não existia estágio remunerado nesse curso.

Pois é.

Então consegui um estágio remunerado como monitor de uma ilha de computadores comunitária no CIASC, que é o centro de informática do estado de Santa Catarina.

Lá eu trabalhava a noite cuidando dos cursos gratuitos dados para a comunidade local e também do uso livre dos computadores da ilha.

Lembro que meu salário era de R$ 120 e eu ganhava R$ 4 para gastar na lanchonete do CIASC todo dia.

Eu comia pra caramba com esse dinheiro por lá… afinal o Real valia bastante nessa época.

Bom, a situação em 2003 era essa.

18 anos. Estudando em dois períodos e estagiando a noite.

Como eu disse, nada glamuroso.

O primeiro emprego

Finalizei meu ensino médio e me formei técnico em informática (Sistemas de Informação) ao mesmo tempo.

Quem tinha conseguido o estágio no CIASC pra mim foram os mesmos amigos que estavam fazendo freelas comigo antes.

Eles trabalhavam no Projeto Software Livre do Governo do Estado de Santa Catarina dentro do CIASC.

E me disseram que estavam precisando de um “designer” no projeto deles.

Então me chamaram pra integrar o time.

Esse foi meu primeiro emprego como designer…

Logo que entrei fiz alguns trabalhos de design e então nosso chefe descobriu que eu sabia programar em PHP e mudou meu cargo para programador.

Ah, esqueci de contar que aprendi PHP no curso técnico e também para poder melhorar meu site, aquele que eu publicava minhas histórias em quadrinhos.

A partir daí me tornei programador oficialmente.

E agora sim, esse foi o meu primeiro emprego como programador.

Programador por escolha?

Não me tornei programador por que quis, mas porque a vida foi me levando para esse caminho.

Alguns anos depois eu deixaria o meu primeiro emprego para tentar me aventurar em outras áreas, mas a vida continuava a me empurrar para a industria tech.

Até que anos depois eu me encontrei trabalhando com startups e times inovadores, mas isso tudo é história para um outro post.

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