Um dos maiores paradoxos existentes na cultura chinesa é o fato de que as Artes Marciais são extremamente ligadas às religiões daquela região. Os estilos mais conhecidos de Kung Fu vieram dos templos Budistas e Taoístas. Pensar em um monge guerreiro é algo contraditório, porém as artes marciais tradicionais destes templos buscam o caminho da não-violência.
A tradição religiosa e filosófica do Taoísmo veio das antigas cultos e rituais chineses. O Tao se refere à ordem orgânica do universo que criou tudo que é vivo, e o conceito mais conhecido desta filosofia é a teoria do Yin e Yang, que fala sobre os opostos complementares.
As práticas dos monges taoístas buscam retornar ao nível de bem-estar que eles acreditam ser o estado natural do ser humano. Essas práticas incluem rituais, meditações, visualizações, práticas sexuais, chi kung (qi gong) e artes marciais, todas utilizadas para criar uma mente em paz e um corpo saudável.
A montanha Wudang é o maior centro Taoísta do mundo, é o lar de dezenas de templos. É considerada o berço espiritual das artes marciais internas da China, porém elas não nasceram ali especificamente e sim nos longos e caóticos anos de toda a história daquele país.
Os antigos Taoístas iniciaram a prática destas artes para defender seus templos, se proteger enquanto viajavam e para deixar seus corpos fortes para longos períodos de meditação. Durante os séculos, a teoria Taoísta se misturou às artes marciais e ambas mudaram para sempre.
Os caracteres chineses são pictográficos, ou seja, imagens que representam ideias. A representação 武 (wŭ), que quer dizer “marcial”, combina a imagem de uma arma e o caractere “parar”. Isso mostra que as artes marciais desencorajam a agressividade exagerada.
Nas artes da montanha Wudang, todos os movimentos são feitos para responder a um ataque. Ao invés de um bloqueio direto que exige força demais, elas ensinam a interceptar e redirecionar o ataque. Os socos e chutes nunca são utilizados como ataques inicais e são feitos para usar a força do oponente. Dessa forma, as técnicas se tornam extremamente práticas e podem ser facilmente usadas contra um adversário mais forte.
No ponto de vista do Taoísmo, nunca se deve impor sua vontade de forma violenta, física ou emocionalmente. Essa crença está presente no conceito da não-ação, ou ‘wu wei’ (无为). Impor sua vontade à alguém significa mover-se contra o Tao e isso causa um gasto de energia desnecessário, assim como nadar contra a correnteza. Este ponto-de-vista é bem prático, pois evitar o conflito nos traz ótimos benefícios.
Os monges taoístas são ensinados a manter seus corpos saudáveis e suas mentes calmas. Eles veem a violência como um estado emocional interno. Mesmo alguém completamente calmo pode ter um coração cheio de violência. O treinamento físico intenso cria essa luta contra a violência interna. A prática da arte marcial nos mostra nossos pontos fracos e nos força até nosso limite físico e emocional. Contudo, você verá que está aprendendo muito mais do que proteger somente seu corpo físico. Está aprendendo a acalmar a raiva interna, a impaciência, o desejo egoísta e o ódio.
No taoísmo, diz-se que deve cultivar-se a virtude (德 – dé). Cultivá-la resulta em determinação, energia focada e clareza da mente. Com a prática da arte marcial você elimina a raiva, medo, vingança e desejo egoísta da sua vida.
Tradução livre de partes do texto The Dao of Kung Fu do monge taoísta Zhou, Xuan Yun.



Social comments and analytics for this post…
This post was mentioned on Twitter by jardimZen: O Tao do Kung Fu http://bit.ly/12uMVP…
[...] This post was mentioned on Twitter by Stêêêphan, Marcus Beckenkamp. Marcus Beckenkamp said: Entenda os verdadeiros motivos pra praticar artes marciais http://bit.ly/4szT6 [...]
the art of war…
…He wrote that . . ….
Como poderei usar o chikung na arte d sexo.Como é isso? É pra dar mais resistencia? Mais potencia? Pra q é? Pode me dizer? Agradeço se me responder.