Ao longo dos séculos, muitos dos sábios orientais procuraram dar um sentido mais amplo e profundo às praticas do nosso dia-a-dia, e assim haver um contato maior com si mesmo. Da caligrafia às artes marciais, da cerimônia do chá ao teatro, sensibilidade e introspecção eram peças fundamentais para expressar-se com verdadeira perfeição.
A arqueria não foi exceção. Inúmeros fatores compõem a equação de um tiro perfeito, a maioria deles mentais. Basta um pouco de incerteza, ou uma leve perda de concentração, e acerto se converte em erro. Esse delicado equilíbrio propicia uma ótima ferramenta para alcançar níveis mentais superiores. Assim, muitos dos grandes filósofos orientais se dedicaram à arqueria na busca do estado de consciência superior, conhecido por muitos como iluminação. Essa popularidade levou à arqueria chinesa a um nível de desenvolvimento surpreendente, ao mesmo tempo em que preservou a simplicidade e beleza no método de tiro.

A respiração é fundamental no processo. Ao manter um ritmo estável e em sincronia com os movimentos, a suavidade na execução do tiro se torna fácil e natural. As várias posições de tiro ajudam a compreender melhor o corpo, além de dar uma maior capacidade de adaptação à mente. Tudo isso dá uma forte base a um estilo de tiro extremamente funcional. Tiros em movimento são o ápice do aprendizado, dando ao praticante objetividade e velocidade de raciocínio.
Após uma seção de tiro, o arqueiro dá lugar a uma pessoa mais tranquila e equilibrada. Porém, só a prática pode demonstrar tais efeitos. Somente quando se tem um arco e uma flecha em mãos se entende o fascínio e a magia da arqueria chinesa…
O mundo ganha uma outra perspectiva, se torna mais amplo e definido. A flecha parte, mas é a mente a guiar-la, projetando a própria vontade além do alcance. Como se uma parte de si mesmo viajasse com a flecha… FOSSE a flecha.
Texto de Mestre de Pa-Kua Bruno Kotvisky retirado do site Pa-Kua



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